Resumo
Desde a Utopia de Thomas More (1516), Tomasso Campanella (1602), John Stuart Mill (1868) e Karl Manheim; o panótico (e eventualmente a distopia ou eutopia) de Jeremy Bentham (1791), até às referências mais actuais à desterritorialização e reterritorialização de Néstor García Canclini (1990), uma série de conceitos reafirmaram certos preceitos da razão moderna no próprio ato da sua crise e questionamento face à representação do progresso permanente e da sua transcendência centrada na aura tecnológica. Tendo em conta a história e o desenvolvimento destes conceitos, são analisados os textos literários de três poetas exilados no Canadá pela ditadura chilena (1973-1990): Jorge Etcheverry (1944), Gonzalo Millán (1947-2006) e Naín Nómez (1942), cujos escritos dão conta dos processos de perda e destruição do território que habitavam, ou seja, da sua desterritorialização, bem como da assimilação e recuperação parcial do novo espaço (a sua reterritorialização). A par disso, intensifica-se a representação dessa destruição como uma queda da utopia, que à partida se vislumbrava como orfandade, um presente vazio e sem projeção numa sociedade estranha e alheia, ou seja, como uma distopia.
Referências
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